7 de julho de 2017

Artista - Compositor - Wilson Baptista


Ídolo de Paulinho da Viola (que diz considerá-lo o maior sambista brasileiro), João Gilberto e João Nogueira, Wilson Baptista é considerado por especialistas o grande cronista musical de seu tempo. (mais abaixo)

A despeito de seu prestígio entre os amantes da boa música brasileira, mais de quatro décadas depois de seu falecimento, Wilson Baptista ainda é injustamente desconhecido por muitos. Além de ser o autor mais profícuo de sua geração (sua obra chega à hercúlea soma de 600 músicas!), compôs sucessos como “Oh seu Oscar”, “Meu mundo é hoje”, “Mundo de zinco”, “Emília”, “Acertei no milhar”, “Pedreiro Waldemar”.

Natural de Campos dos Goytacazes, Wilson chegou adolescente ao Rio de Janeiro, em fins da década de 1920. Na então capital do país, encontrou uma indústria cultural efervescendo de possibilidades, que agarrou com unhas e dentes e não largou mais.

A paixão pelo futebol, outro traço marcante de Wilson, é abordada nos sambas “E o juiz apitou” e “Samba Rubro-Negro” (“Flamengo joga amanhã / Eu vou pra lá”).

Nas quatro décadas seguintes, até sua morte aos 55 anos, Wilson Baptista amou (Floripes, Marina, Jane, Orlandina, Telma...), polemizou (com Noel Rosa), compôs (mais de 600 títulos - um recorde!), fez filhos (três, oficiais), fundou sociedade e sindicato de autores, foi gravado (por todos os cantores relevantes de sua geração), fumou (uma erva do norte), torceu (pelo Flamengo), batucou em caixinhas de fósforos, enriqueceu, empobreceu, pintou e bordou. Não necessariamente nessa ordem.

Era um típico vendedor de sambas e não tocava nenhum instrumento, embora fosse um cantor afinado, a não ser sua caixinha-de-fósforos.

Foi casado e tornou-se pai de dois filhos, embora a vida boêmia o levasse a ficar até três dias sem aparecer em casa, para desespero da esposa. O fato é que viveu intensamente, pois sabia que “além de flores, nada mais vai no caixão”.

Para quem quiser conhecê-lo, basta ouvi-lo: sua vida (e a história do Rio de Janeiro, sua cidade por adoção, devoção e merecimento) está toda espelhada – e espalhada – em sua obra.



 maria tereza cichelli
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